A corrida mais desafiadora do fim de semana não vai ser de F-1

Por Daniel Médici
A Audi de Lucas di Grassi, Loïc Duval e Oliver Jarvis durante treinos em La Sarthe (Audi Sport/Divulgação)
Audi de Lucas di Grassi, Loïc Duval e Oliver Jarvis durante treinos em La Sarthe (Audi Sport/Divulgação)

O GP da Europa que a Fórmula 1 realiza neste fim de semana é um dos mais aguardados da temporada, por ser a estreia do Azerbaijão no campeonato, em um circuito de rua sui generis com mais de 6 km de extensão, uma grande reta e seções que serpenteiam entre casarões da capital, Baku, e muralhas de pedra.

Mas vale a pena, para quem gosta de corrida, reservar um tempo do fim de semana para voltar seus olhos para a França, onde acontece a prova de endurance mais importante do calendário, as 24 Horas de Le Mans.

O conflito de datas impediria um dos vencedores do ano passado, Nico Hülkenberg, de defender o título na pista de La Sarthe. O piloto da Force India conseguiu uma vitória logo na estreia, ao lado de Nick Tandy e Earl Bamber, no terceiro carro da Porsche —mas os alemães só inscreveram dois protótipos na categoria principal, a LMP1, em 2016.

A própria vitória surpresa do trio azarão em 2015 ilustra os desafios da prova. É a única corrida de 24 Horas disputada no ano pelo WEC, em vias que funcionam como estradas na maior parte do ano, à noite e de madrugada, levando pilotos, equipe e equipamento ao limite de suas capacidades. Para piorar, o competidor precisa dividir a pista com carros muito díspares em desempenho. É lícito dizer que é a prova mais desafiadora do automobilismo, atualmente.

Ao que parece, o favoritismo deste ano está dividido entre Audi, vencedora de cinco das últimas seis edições, e a Porsche, cujo 919 Hybrid é sem dúvida o mais rápido do grid.

Em uma corrida de um dia inteiro, porém, nem sempre adianta ser o mais rápido. Na década passada, a Audi se tornou especialista em obter vantagem tática sobre as flechas da Peugeot. Além disso, carros batem, pneus furam, problemas acontece, shit happens. A pole não significa favoritismo e ninguém comemora a vitória antes da bandeirada final. Não é isso justamente o que está faltando na Fórmula 1?