Entre idas e vindas da prisão, dono da Force India pode se orgulhar do trabalho de sua equipe

Por Daniel Médici

Na F-1, o ano de Vijay Mallya tem sido irretocável. A Force India, da qual é dono, tem dois ótimos pilotos e mostra resultados invejáveis no meio do pelotão, à frente de concorrentes que dispõe de orçamentos muito mais polpudos. O magnata só tem a lamentar o fato de ter que ver o êxito, ocasionalmente, atrás das grades.

No início do mês, Mallya foi detido mais uma vez na Inglaterra, a pedido das autoridades indianas, por suspeita de evasão fiscal e lavagem de dinheiro, e solto após pagamento de fiança. Ele já havia sido detido em abril. O Fisco indiano alega que sua equipe de F-1 era o destino de parte do dinheiro sujo.

Mallya nega as acusações da procuradoria do país, que cobra cerca de 1 bilhão de libras esterlinas (cerca de R$ 4 bi) de dívidas não pagas aos cofres públicos.

O império do magnata de Kolkata é anterior à sua entrada no automobilismo, após a compra da Spyker (a linhagem da equipe remonta à simpática Jordan, responsável pelas estreias de Barrichello e Schumacher). Ele começou no ramo de bebidas destiladas e cervejas, até fundar uma companhia aérea.

Mesmo quando deixou de pagar salário para os funcionários da última, até ela fechar, em 2012, Mallya não abria mão de uma vida de playboy. Dava festas épicas em seu iate durante o GP de Mônaco, vivia numa mansão que havia sido do pai de Lewis Hamilton, em Hertfordshire, e pintou suas iniciais em ouro nos motores e asas de seu Airbus A319 particular.

Na pista, a Force India vive com poucos luxos, com o caixa mais apertado que concorrentes diretos. Está em quarto lugar na tabela de Construtores, 81 pontos à frente da vexaminosa temporada da Williams. Sergio Pérez e Esteban Ocon são pilotos agressivos e competitivos e, apesar de quase terem se matado um ao outro no GP da Bélgica, em um dos melhores pegas do ano, merecem estar onde estão.

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