Laranja é o novo preto? Para a McLaren, tudo indica que sim

Por Daniel Médici

A pré-temporada da F-1 ainda não começou, mas a McLaren já conseguiu monopolizar as atenções para o lançamento de seu carro em 2017. Tudo por causa da cor que a equipe escolheu para usar no material de divulgação do evento: laranja.

Pode até ser uma jogada de marketing bem orquestrada, mas, ainda que o seja, a imprensa especializada caiu. Tudo porque não se trata de uma cor qualquer na história da McLaren.

O laranja não foi a primeira cor que a McLaren usou, mas foi a primeira com a qual a McLaren venceu na categoria, em 1968. A honra dos primeiros triunfos na F-1 coube ao fundador da equipe, o neozelandês Bruce McLaren, e a seu companheiro, o também neozelandês Denny Hulme.

Naquela época, a identificação entre equipe e cor era semelhante à que existe até hoje entre o vermelho e a Ferrari, sobretudo do outro lado do Atlântico: a McLaren competia nas 500 Milhas de Indianápolis e era a principal força do antigo campeonato de protótipos da América do Norte, a Can-Am.

Bruce McLaren em Nürburgring, 1969, durante o GP da Alemanha (Lothar Spurzem/Wikimedia Commons)
Bruce McLaren em Nürburgring, 1969, durante o GP da Alemanha (Lothar Spurzem/Wikimedia Commons)

Foi justamente ao volante de um carro da Can-Am que Bruce morreu, em 1970, durante testes no circuito inglês de Goodwood —a partir daí, aos poucos, a equipe foi se tornando mais britânica e menos neozelandesa, e progressivamente mais associada ao branco e vermelho da Marlboro do que ao laranja.

A cor só reapareceu nos carros de Woking em alguns períodos de testes pré-temporada, geralmente após a saída de dois patrocinadores principais forçarem uma troca de programação visual —em 1997 e em 2006, com o fim dos patrocínios da Philip Morris e da British Imperial Tobacco, respectivamente.

Nos últimos anos, em que a McLaren não teve um patrocinador principal, houve uma pressão de fãs para que o time adotasse o laranja outra vez, mas Ron Dennis era notoriamente contra a ideia: “Era a cor antiga da McLaren. Por que iríamos querer andar para trás?”, disse, em 2015. “[A cor] só vai mudar se for por motivos comerciais.”

Não deixa de ser curioso que a ideia volte à tona no exato momento em que Dennis é afastado do comando do time. Em seu lugar, assume Zak Brown, executivo definido pela revista “Autosport” como “guru do marketing na F-1”. Toda essa especulação criada, ao redor do lançamento de um carro que não deve disputar a ponta da tabela, faz jus à sua fama.

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